Publicado por: adrianemaraujo | 26/08/2011

Minha inicial trajetória na Educação

Olá amigos leitores! Quero aproveitar esse momento para contar um pouco de como cheguei na área de Educação, apesar de estar bem no início dessa trajetória, entendo que em tudo Deus tem um propósito. Sinto-me tão feliz em ter comunhão com um Deus tão bom, tão generoso. Por causa dessa comunhão, ouço Seus conselhos, Sua direção e hoje ao estar cursando a graduação na Faculdade de Educação vejo em cada detalhe a mão de Deus me conduzindo e abrindo portas pra mim. É claro que a nossa parte somos nós que temos que fazer, Deus se agrada daquele que trabalha, daquele que serve, que produz, sempre foi assim desde os primórdios. Esse semestre (2º período) tem sido trabalhoso porém gratificante. São horas investindo em aulas, trabalhos, textos, pesquisas. Poucas horas de sono, poucas horas de lazer, mas entendo que é um tempo de investimento. Sinto-me incentivada a fazer o meu melhor por ter recebido dentro de uma multidão essa possibilidade de conhecimento. A cada aula me sinto tão honrada, a Faculdade de Educação da UERJ, possui professores/professoras de altíssimo nível, não posso desperdiçar essa oportunidade de ouro na minha vida, tenho que me dedicar ao máximo e estar atenta as possibilidades que surgirem.

Eu me lembro que desde criança, sempre brinquei de escola e normalmente eu era a professora, lembro-me também que quando cheguei ao ensino médio meu pai me aconselhava: “Filha, faz Normal você tem o maior jeito”. E eu ficava apavorada em pensar que ia trabalhar tanto e ganhar tão pouco. Naquela época (1994) tudo o que eu pensava era na minha independência financeira. Daí procurei o que era “moda” na época, eu tinha necessidade de ser independente financeiramente, os motivos são grandes, mas não vem ao caso compartilhar esse detalhe. Enfim, entrei na área de Administração de Empresas e fiz o curso técnico e logo consegui um estagio numa boa empresa e ainda bem novinha (16 anos) fui efetivada, época em que concluí o ensino médio. Aos 18 anos me casei, queria fugir de um problema familiar e pela imaturidade achei que essa seria a saída. Aos 20 anos fui mãe do meu primeiro filho. Ainda continuava trabalhando e tendo ascensões na área Administrativa, sempre tive a característica de ser intensa e dedicada no que faço. Aos 21 anos me separei judicialmente, daí o meu conto de fadas acabou (apesar de nunca ter sido um) e caí na realidade de estar no mercado de trabalho e ter um filho bebê para cuidar. Lembro me que precisava de uma creche, mas pagava aluguel e o meu salário era baixo, não me lembro exatamente mas hoje deveria estar em torno de 02 salários mínimos. As creches particulares eram em torno de 40% do que eu ganhava, o aluguel mais 40%, daí como fazer pra sobreviver? As creches públicas não existiam, não consegui encontrar nenhuma na região, anos depois descobri uma e as vagas eram tão limitadas que a admissão das crianças era por sorteio somente para aquelas crianças em situação de pobreza declarada. Iniciei colocando pessoas em minha casa, foram experiências ruins, cada uma me deu um trabalho e uma decepção diferente, só tive sorte com uma delas que também ficou grávida e não pode mais continuar comigo. Daí não teve jeito tive que colocá-lo na creche particular que me sugou durante 06 anos. Ele teve cuidado e ensino, foi alfabetizado lá e tenho muito a agradecer por esse período que meu filho esteve sobre os cuidados e ensino desses profissionais. Mas, tudo isso me custou comida, roupa, lazer e outros detalhes que precisamos. Quando o meu filho estava com 05 anos me casei novamente. Fomos morar em uma comunidade no Rio e lá percebi quantas mães e crianças passavam pela mesma situação que eu passei, mas sem nenhuma possibilidade de entrar para uma creche particular, como mal ou bem eu tive. As crianças entregues as ruas, a não supervisão de um responsável, e suscetíveis ao tráfico. Fiquei 02 anos lá até que compramos um apartamento e saímos dali. Mas aquelas crianças nunca saíram do meu coração (apesar que até hoje volto lá pois tenho pessoas queridas que ainda moram lá). Todas as faixas etárias podem ser vistas nas mesmas condições, bebês sendo cuidados pelas crianças de 07 anos e esses cuidados pelos de 10 anos, se é que posso dizer que eram cuidados. Lembro-me que bem próximo de onde eu morava tinha um espaço gigantesco sem construção, na verdade ainda tem, e eu sempre olhei para aquele lugar e visualizava uma creche pública linda, colorida e cheia de crianças e professores. Mas achava que isso era um sonho, de um coração mole como o meu.

É interessante a relação que tenho com as crianças, eu nem sou uma pessoa doce, nem muito paciente, tenho até um temperamento forte, mas me derreto toda ao ver um bebê, interajo de uma maneira especial com as crianças maiores, consigo passar uma postura de confiança, é impressionante. As minhas amigas quando tem bebê eu faço questão de ir lá dar banho neles, ensiná-las, falar um pouquinho de como tratá-los, como acalmá-los e elas ficam impressionadas. Interessante que até então eu nunca tinha estudado a respeito deles. Tudo estava em meu coração e no meu desejo de ajudá-los de alguma maneira.

Antes um pouquinho de me mudar para o apartamento, tive minha segunda filhinha e fechei a “fábrica” (risos), amo crianças mas ter filhos é outra história. De vez enquanto parava e pensava como ser uma mãe melhor pra essas duas crianças. Até que um fato ocorreu na minha vida em 2007, sofri um grave acidente de carro e, ali comecei a refletir se estava vivendo meus sonhos ou vivendo por viver. E dois meses depois pedi demissão da empresa que trabalhava, uma multinacional onde eu estava fazendo uma carreira produtiva. Depois de ter o apoio do meu marido, que já estava mais estruturado profissionalmente, larguei tudo pra ficar com meus filhos e repensar minha vida. Daí comecei a pensar em voltar a estudar, eu cheguei a fazer 4 períodos de Administração de Empresas, mas vi que não era aquilo que me faria feliz profissionalmente. Lembrei-me do meu prazer em ensinar, em ver resultados nas pessoas e não nos números. Interessante que nesse mesmo tempo, recebi uma ligação de uma diretora de escola onde minha irmã trabalhou e eu também a conheci, me convidando para dar aula, fiquei muito espantada porque não tinha formação pra isso e nem tinha comentado com ninguém sobre o desejo ou sonho de lecionar, mas ela disse que era pra ajudá-la com as turmas, para ministrar aulas de Cidadania e ela via em mim uma pessoa que tinha um bom conhecimento de mundo e poderia ajudá-la. Achei muito próximo do que estava pensando naquele mesmo momento e aceitei o desafio, pela primeira vez entraria numa sala de aula, pensei: “Vou provar se é isso mesmo que eu quero”. Foi uma experiência inesquecível, me apaixonava por eles a cada dia, e todos na escola ficavam perplexos, inclusive a diretora, de como eu tinha o domínio e o carinho da turma em tão pouco tempo. Era uma paixão recíproca. Logo depois, a diretora me convidou pra dar aula de inglês, porque a professora oficial deixou a escola e como eu tinha feito curso de inglês por 05 anos e tinha diploma, ela acreditou que eu ajudaria até ela poder contratar outro profissional. Foi outra experiência maravilhosa, conseguia envolve-los na nova língua, eles eram turmas do ensino fundamental I.

Claro que percebi a necessidade de estudar, me capacitar e no ano de 2009 iniciei um pré vestibular comunitário. Cheguei a pensar em Letras, tentei o vestibular passei mas não fui admitida. No ano de 2010 cheguei a dar aulas de inglês no mesmo pré-vestibular comunitário que tinha estudado em 2009, outra experiência marcante e gratificante. Mas percebendo as necessidades da escola, os conflitos dos alunos e de todo sistema educacional, ao me inserir ali no dia a dia do espaço escolar, percebi que era algo mais do que só contribuir em sala de aula, era queria ter subsídios para pensar como ajudar, como buscar uma solução. Daí no fim de 2010 me inscrevi no vestibular da UERJ para Pedagogia, vi que tinha uma boa quantidade de vagas, e percebi o valor que essa instituição dava na formação dos educadores. Depois da 2ª lista de reclassificação em março de 2010, finalmente meu nome aparece nos aprovados e selecionados para uma vaga ainda no primeiro semestre de 2011. Não sei expressar a alegria que senti, o misto de sensações: choro, riso, gratidão a Deus por esse milagre na minha vida, pois aos 32 anos depois de uma trajetória vivida, nunca imaginei que seria capaz de viver isso, pra mim era só sonho, principalmente por ser uma faculdade pública. Tive que sair da escola em que trabalhava, por causa da carga horário de estudo que a faculdade publica tem e, com o coração partido, me despedi das turmas, foi emocionante ver cartinhas deles, dizendo: “Você foi a melhor professora que tive! ou Nunca vou te esquecer!”. Só de lembrar me emociono. Até com a diretora foi difícil, agradeci muito a ela, por ela ter sido um instrumento de Deus para abrir minha visão, e resgatar esse sonho que estava guardado. Ela ficou feliz por essa vitória e ao mesmo tempo triste em me perder, essas foram suas palavras. Eu creio que um dia ainda podemos juntas acrescentar em algo pra nossa educação.

Enfim, hoje  estou no 2º período, já tenho por volta de 100 horas de atividades culturais, tenho me interessado pelas palestras, seminários, grupos de estudos e etc, pois quero ampliar ainda mais a minha visão. Ainda no 1º período fui convidada para participar de um grupo de pesquisa, por uma professora Phd brilhantíssima – que honra pra mim! Nesse período da faculdade já estou como bolsista e comecei a me integrar no mundo acadêmico. Claro que não deixo de estar com meus filhotes, nem com meu esposo, vou manobrando o tempo entre estudo, família e minha vida com Deus, que pra mim é prioridade e, sei que estou num caminho que o próprio Deus desenhou pra mim e agora junto com Ele vou dando cor.

Sei que a trajetória é muito grande ainda, sei que para o que quero tenho uns 8 a 10 anos pela frente, mas tudo que eu quero é estar no centro da vontade de Deus, pois com Ele tudo é perfeito e pleno, Ele não nos livra da luta, não será tudo flores, sei que será com lágrimas, sorrisos, dedicação e esforço que vou trilhar esse caminho, em Sua Palavra Deus sempre nos aconselha: Esforça-te! Mas Ele me garante que está comigo e me garante a vitória!

Quero ser um instrumento de Deus na Educação nesse país! Hoje, o meu foco é a Educação Infantil, as crianças pequenas, quero pensar sobre elas, lutar por elas, ser voz por elas, mas é claro que estarei atenta a tudo e jamais fecharei nenhuma porta que o Senhor Jesus abrir pra mim!

Quero te desafiar a sonhar, pois os sonhos nos dão forças e estímulos para viver, você tem uma missão, com garra e comunhão com Deus você vai chegar lá!

Amo vocês profundamente!

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Responses

  1. Deus te abençõe e te capacite!
    Um dia tb quero contar minha história..
    Temos muita coisa incomum… essa sua história me ajudou a refletir sobre um sonho escondido, mais que em muitos momentos pulsam dentro de mim.

    BeijinhOs obrigada por sua vida!

  2. Vc me emociona minha amiga linda. Vc é minha inspiraçao e meu orgulho. Como sou grata a Deus, por vc se tão sencivel ao chamado do nosso Deus. Deus conta conosco para levarmos esperança a esse mundo tão carecido tão sofrido. Te amo sempre juntas e eternamente misturadas.

  3. Oi Dri! Estou feliz que vc se viu bem na educação… Eu estou afim de sair da educação, tenho vivido um lado muito ruim dela, enquanto profissional, intérprete de Libras em Escolas, eu e meu pai. Fico feliz que vc esteja estudando, e tão animada assim… BjS!

    • Oi Bellinha! Eu te entendo, realmente a educação no nosso país ainda é muito ingrata com os profissionais, isso é lamentável. O meu objetivo na Educação é de ser um instrumento de Deus para pensar e ser voz contra essa situação, mas isso é uma longa caminhada de muita perseverança e muito estudo.


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